Rita de Cássia é conhecida como santa das causas impossíveis

Rita de Cássia é conhecida como santa das causas impossíveis

Santa Rita de Cássia é conhecida como a santa das causas impossíveis. Segundo a crença dos católicos, para ela nada é impossível e, por sua bondade, nada é negado. Em poucos meses, a santa italiana terá mais uma tarefa para resolver: transformar a cidade de Santa Cruz, no interior do Rio Grande do Norte, em centro de peregrinação no Nordeste. Para isso, um convênio entre a Prefeitura de Santa Cruz, o Governo Federal e o Governo do Estado está finalizando a construção de uma estátua de Santa Rita de 42 metros de altura, que custou mais de R$ 5 milhões e será a maior estátua católica do mundo.

Com expectativa de ser inaugurada até o meio do ano, a estátua de Santa Rita de Cássia já atua como um imã para o olhar dos visitantes. Encravado no alto do Monte Carmélio, antigo ponto de peregrinação da cidade, mas na intenção de Nossa Senhora do Carmo, o monumento consegue atrair visitantes antes mesmo de ser aberto ao público. “Temos romarias, principalmente aos domingos”, diz o padre responsável pelo Alto de Santa Rita, Aerton Sales. O motivo para tamanha devoção, de acordo com o padre, remonta aos fundadores das cidades da região do Trairi, que levaram a fé na santa como trunfo para prosperar na região. Mas a ideia de construir a estátua tem motivos mais terrenos do que divinos.

Há cinco anos o então prefeito de Santa Cruz, Luiz Antônio Lourenço, o Tomba chamou o padre Aerton, que por sua vez era pároco de Santa Cruz, para uma conversa. Tomba queria dar uma utilidade turística ao Monte Carmélio, cujo terreno pertence à Igreja Católica. Padre Aerton replicou que a Igreja não tinha interesse em nenhum tipo de turismo que não fosse religioso e citou a devoção à Santa Rita de Cássia como algo muito presente na região. A ideia foi comprada de pronto pelo Prefeito e posteriormente referendada pelo Governo Federal e pelo Governo do Estado. Nasceu aí o Alto de Santa Rita de Cássia.

De acordo com o atual prefeito de Santa Cruz, Péricles Rocha, a criação do centro turístico é uma alternativa para o desenvolvimento econômico da cidade. “O turismo religioso é um bom filão”, diz Péricles. E complementa: “Sempre quisemos trazer uma indústria, uma fábrica para dar um salto econômico e nunca conseguimos. Com a estátua iremos atrair investimentos”. Qualquer semelhança com Juazeiro do Norte (CE) e Guarabira (PB), que possuem estátuas do Padre Cícero e de Frei Damião, dois fenômenos da religiosidade popular nordestina, ainda não reconhecidos de todo pela Igreja Católica, não é mera coincidência.

O prefeito de Santa Cruz conta que os efeitos econômicos da maior estátua católica do mundo já estão sendo sentidos. “Pousadas estão sendo ampliadas, a cidade vê a chegada de novos restaurantes. Tudo isso por conta da estátua e com a intensificação das romarias tudo deve ser ampliado porque precisamos de infraestrutura para receber o turista. Por isso, contamos com o apoio do Governo Federal e do Estado”, afirma. No Governo do Estado, o convênio (R$ 1,9 milhão) é com a Secretaria de infra-estrutura, para construir os acessos à estátua. Com o Governo Federal, o contrato (R$ 3,1 milhão) é via Ministério do Turismo. As informações são da Prefeitura de Santa Cruz.

Enquanto o Padre Cícero e o Frei Damião representam fenômenos religiosos nascidos no próprio Nordeste, dentro das crenças populares e tradicionais do sertanejo, Santa Rita de Cássia representa uma fé diferente, mais europeia, importada. Mesmo assim, o prefeito Péricles Rocha não duvida da capacidade de atrair fiéis para Santa Cruz por conta deste “detalhe”. “Santa Rita de Cássia é a quinta santa em devoção em todo o Brasil. Famosos como Roberto Carlos e Jô Soares são devotos dela. É uma Santa com muitos fiéis em toda a região”, afirma.

O padre Aerton também acredita que, apesar da gênese europeia de Santa Rita de Cássia, a fé na Santa já é algo genuíno no coração dos nordestinos, destacadamente nos moradores da região do Trairi. “O sertão já tem o seu “padrinho”, que é o Padre Cícero, e já tem a sua mãe, que é a “Mãe do sertanejo”. Ora, todo padrinho precisa de uma madrinha e Santa Rita de Cássia vem para ser a “madrinha do sertão”. Esse é o título que estamos dando a ela no Alto de Santa Rita”, acrescenta o padre Aerton Sales.

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