Papangus: Tradição ameaçada por um pequeno acontecimento

Briga ofusca brilhantismo da tradição?

Briga ofusca brilhantismo da tradição?

É sabido pelos leitores o lamentável episódio do último domingo (24) em Ouro Branco-RN, quando jovens se desentenderam, e entraram em luta corporal.

Até o dia de hoje, ainda muito se fala de tudo aquilo.

Daí acende-se a polêmica sobre a “proibição” da tradição dos papangus no carnaval de Ouro Branco-RN.

A realização ou não de tal manifestação popular estaria nas mãos do (a) promotor (a) da Comarca de Jardim do Seridó-RN.

Resolvi escrever sobre tal polêmica, para tentar de alguma forma desconstruir certas inverdades que estão cultivando pelas ruas. Afinal de contas, o que está em jogo deve ser a questão da segurança, nada além disso.

- Algumas pessoas falam que o desfile de papangus atrai violência.

Ora, como pode ser verdade? Não vou longe: Eu mesmo estava com a minha filha, que não tem ainda dois anos de idade, e brincamos livre e satisfatoriamente, e não era o único. Vi outros pais com seus (as) filhos (as) fazendo o mesmo. Todo ourobranquense sabe, que o carnaval de rua, puxado pela orquestra de frevo e animado pelos papangus, sempre arrastou famílias, gente de todas as idades, e até onde sei há décadas é assim, não se configurando, em nenhuma hipótese, num ambiente propício à violência.

- O consumo excessivo de bebida alcoólica justifica a proibição de tal manifestação.

Sempre fui adepto a campanhas educativas que visem ao menos a moderação no consumo de bebidas alcoólicas. Mas tal consumo não vem de hoje. Mesmo na antiguidade, as pessoas sempre ingeriram bebidas alcoólicas por diversos motivos, principalmente com o intuito de tornar as festividades mais alegres… Então, não creio que este seja o problema crucial, marco causador dos desentendimentos ocorridos.

Além destes dois pontos, muitas outras conversas caberiam nesta reflexão, mas deixemos estas de lado e vamos refletir sobre o que interessa:

O fato de alguns jovens terem se desentendido no final da tarde e noite de domingo passado, se constitui num fato isolado: não é em todas as

Na foto, é possível ver pessoas de todas as idades

Na foto, é possível ver pessoas de todas as idades

oportunidades em que acontece o arrastão de papangus, que se tem tais transtornos. Bem se vê que se tratou de uma infeliz exceção.

E mais: nenhum dos integrantes que verdadeiramente trazem esta tradição nas costas estava envolvido nas confusões, porque, para estes últimos interessava a festa, a brincadeira, e só. E mesmo os que se envolveram, arrisco-me a dizer que não o fizeram com o objetivo de “acanalhar” com a festa, pois o ápice da confusão aconteceu quando já há algum tempo terminou o desfile. Porém, é inegável o desgaste conseqüente daquela noite…. Porém, nada que ofusque o brilhantismo dos papangus…

Então, na humilde opinião deste que vos escreve, não há sentido em se proibir uma manifestação cultural popular que já tem décadas de tradição, em virtude de uma briga, um desentendimento isolado de algumas pessoas… De poucas pessoas. E mais: não é justo toda a coletividade pagar por quem não estava na festa com o intuito de brincar…

Será que o momento não seria de se planejar e articular ações que visem sanar o problema da segurança em nossa cidade, que já se arrasta há muito tempo?

Polêmicas à parte, é de se indignar com o fato de uma população de quase cinco mil habitantes dispor, num fim de semana, de apenas dois policiais de plantão…

Independentemente de haver festa na cidade, é necessário um contingente maior de homens da Polícia Militar, para que a população se sinta segura.

Então, levantemo-nos, sacudamos a poeira, batamos no peito, e demo-nos as mãos! A festa não pode acabar… A paz deve prevalecer. Não é hora de culpar ou responsabilizar quem quer que seja. Esta é uma festa coletiva, e a responsabilidade deve ser dividida por todos, e devemos somar esforços para fazermos um carnaval com harmonia e confraternização. E que possamos sair às ruas e cantar… É Carnaval!